. Quem é árabe? -Árabe é todo aquele oriundo da Peninsula Arabica, atualmente, dominio do reino da Arábia Saudita, cuja língua materna é árabe. A característica do árabe, na antiguidade, era ser nômade, viver no deserto, onde a água era escassa, o que condicionou uma forma de vida que persiste até hoje nos paises árabes mais pobres e menos desenvolvidos. A criação de cabras e camelos serviam também como meio de transporte. A agricultura inexistia, pela escassez da água.
.Qual é o denominador comum entre os árabes do Oriente Médio e os demais? -A Península Árabe se extende por uma área de mais de 3 milhões de quilometros quadrados, de modo que a população migrava a longas distâncias, em busca da água, e se separava em grupos, tribos, cada qual com a sua liderança própria, numa forma de vida muito primitiva, sem cultura própria , sem religião, num estado de obscurantismo, definido pelo Corão como Djaavilia, em árabe, baarut em hebraico. Somente no século VII da nossa era, surgiu Muhamed, um simples cidadão, nascido em Medina, que se declarou o Profeta que veio trazer A Revelação para o povo árabe, disperso na imensidão do deserto. Trazer a luz para a escuridão em que viviam. Medina é hoje a cidade, na Arábia Saudita, que representa o local sagrado mais importante para o Islã, depois de Meca. Jerusalém vem em terceiro lugar como local sagrado muçulmano.
.Os árabes muçulmanos são a maioria no Oriente Médio. Que outras religiões existem nos países árabes? -O Islã, como religião, nasceu em 632, e em poucos anos se propagou em todas as direções, na própria Peninsula Arabica e fora dela, chegando a todos os países já formados, Dubai, Qatar, Iemen,Bahrein, Oman (hoje Iraque), chegou à Ásia Oriental, Índia, África do Norte, Egito, Marrocos,Tunísia, Líbia. Chegou à Europa, Espanha, Áustria, Hungria, Iugoslávia e posteriormente, a Turquia. Em 100 anos chegou também a Jerusalem, no Oriente Medio. A religião muçulmana não é uma religião de paz.Não admite ao seu lado nenhuma outra crença ou crentes. Prega a morte aos descrentes, até os dias de hoje. A conversão se faz pelo uso da força, da violência e a oposição e paga com a morte. Tribos de árabes muçulmanos, saíam em ondas migratorias para subjugar outros povos e convertê-los ao Islã. Apesar das distâncias e das diferenças etnicas, a religião, em todas as partes do mundo, guarda a sua forma original, os mesmos rituais, a mesma lingua e a mesma intolerância com as demais religiões. A solidariedade árabe se baseia na crença que todos os árabes, em todo o mundo , pertencem a uma única nação, gigantesca, nação sem fronteiras. A Indonesia é um exemplo desta expansão fantástica.Pais asiático, onde viviam budistas, cristãos e hindus, é hoje o maior pais muçulmano, não árabe.Num território de 1. 900. 000 quilometros quadrados, com uma população de 230 milhões de habitantes dos quais 80% são muçulmanos e os cristãos, budisras e hindus, constituem os 20% restantes como minorias religiosas lutando pela sobrevivencia religiosa. Na Índia, onde coexistem tantas castas budistas e outras, os muçulmanos já constituem mais de 100 milhões de adeptos, além do Paquistão, que era parte integrante da Índia e Afeganistão. O centro espiritual do Islã é a Arábia Saudita e o local mais sagrado é a Meca, onde está a pedra negra retangular, Kaaba, de onde Muhamed ascendeu para o Céu.Todo muçulmano, pelo menos uma vez na sua vida tem que ir rezar , peregrinar à Meca.Esta pedra e a sua santidade, representam a fonte do poder e de controle sobre o Islã mundial. O local sagrado de segunda importância para o islamismo, é Medina, onde nasceu Muhamed e só em terceiro lugar, está Jerusalém, que não é citada nenhuma vez no Corão, mas onde foi construida a famosa mesquita El Aksa, com sua cúpula dourada, alvo de tantos conflitos entre árabes e judeus.Os muçulmanos em todo o mundo fazem suas orações voltados a direção da Meca e não para Jerusalém, como os judeus. Mesmo na mesquita de El Aksa, oram em direção à Meca. Depois da morte de Muhamed, começaram os conflitos entre filhos e genros, que disputavam a herança, a liderança da Nação Árabe, conflito que se agravou ainda mais entre os descendentes na 3ª geração, e o Islã se dividiu em duas grandes facções- xiitas e sunitas. Os primeiros conflitos foram contra as tribos judaicas que conviveram com o Islã durante alguns anos em Medina, até que foram todos massacrados pois não há perdão no islamismo.Quem não se converte, morre. Esta divisão entre xiitas e sunitas atingiu o Islã em todas as direções, chegando a todos os paises ja subjugados pelos muçulmanos, levando em conta que na antiguidade a religião predominante era o judaismo, seguido do cristianismo e o Islã. Os sunitas são a maioria dentro do islamismo, são os seguidores das tradições originais, tal como foi pregado por Muhamed e os xiitas, representam o Islã com simbologia diferente.O criador da casta xiita foi Ali Ben Avi Taleb, que era um dos filhos de Muhamed e outros sub-grupos foram criados por outros líderes religiosos, como Muhamed Ibn Nutzair ou Nussair, falecido em 868. Nussair foi o fundador de uma outra casta xiita, os alauim,que acrescentarm a doutrina islamica, partes do judaismo e do cristianismo.Hoje, os alauim representam cerca de 1 milhão de crentes, que estão principalmente na Síria e em menor número ,no Líbano. O ex-presidente da Síria, Hafez Al Assad e o seu filho, atual presidente deste país, Bashar el Assad, são alauim, que são considerados uma casta inferior entre os xiitas, embora na Siria, exerçam os postos mais elevados no exercito e no governo. Além dos alauim, surgiram outras correntes islamicas os drusos e os curdos. Os drusos são originários do Egito, no século XII e ao contrario dos alauim, são muçulmanos que seguem uma linha de fidelidade ao país onde vivem. Aqui em Israel, por exemplo, muitos drusos prestam serviço militar no exercito de Israel, chegando a alcançar patentes co mo oficiais. Os curdos vivem dispersos em cinco paises- Iraque ( Curdistão) Armenia, Turquia, Siria, Irã . É a etnia mais numerosa do mundo (26 milhões ) que vive sem Estado.Na época da separação das correntes xiitas, os curdos se diferenciaram das demais, por introduzirem na sua crença, um misto de judaismo, zorostrianismo e cristianismo (séculos XII E XIII). Atualmente são muçulmanos e a maioria, sunita. Estas correntes muçulmanas estão concentradas nos países do Mediterrâneo Oriental, Oriente Medio, parte da Africa , Golfo Pérsico e Península Árabica, nas seguintes proporções Árabia Saudita maioria sunitas, fração muito pequena de xiitas Egito quase todos sunitas, 10% cristãos (coptas) Iraque maioria xiita Irã maioria esmagadora xiita e uma minoria insignificante de zorostrianos Líbano maioria crista, seguida de muculmanos sunitas, xiitas ( Hisbola), 6% a 7% drusos. Todas estas conquistas muçulmanas foram conseguidas através de lutas sangrentas, pela conversão forçada, tal como na época dos Cruzados.
.Qual é a diferença básica entre países como o Irã e a Turquia, por exemplo, que não são árabes mas são muçulmanos e os países árabes muçulmanos da região? -Com relação à Turquia e Irã (Pérsia antiga), são países de grande extensão territorial, com fronteiras comuns, que tem maioria muçulmana, embora não sejam árabes, não falem a mesma lingua, mas respeitam a solidariedade árabe-muçulmana. Ambos os países competem através de estratégias diferentes, para conseguir a mesma meta: a liderança regional. A Turquia é um país economicamente estável, rica, enquanto o Irã, em consequencia da corrida nuclear e do embargo que os Estados Unidos e Europa estão impondo à sua economia, está empobrecido, passando uma crise econômica séria. A maioria é religiosa e xiita e na Turquia, os sunitas são a maioria. A Arabia Saudita exerce sobre o Oriente Medio uma influência invejável por outros paises como o Irã, a Turquia e o Egito, durante o governo de Mubarak, que disputam esta fonte de poder e estão em plena competição. A Arábia Saudita, com seu enorme território, mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, petróleo farto, regime monárquico estável, aliados dos Estados Unidos, o que e imperdoável para o Irã, que está expandindo a sua influência até o Libano, através do apoio incondicional que dá ao Hisbollah, fornecendo armas e ajuda financeira. Mubarak, no Egito, competia para conseguir a liderança regional, pois além de ser aliado dos Estados Unidos, também mantinha relações muito corretas com Israel. O atual governo egípcio, na sua fraqueza, estendeu a mão para o Irã, apesar das profundas diferenças religiosas (os sunitas são a maioria no Egito), o que irritou bastante a Irmandade Muçulmana egípcia . O Irã e Iraque, ambos xiitas, estão em conflito permanente, apesar do término da guerra que se prolongou por muitos anos, tanto pela posição de influência regional, como por divergências comerciais na extração do petróleo , problemas que superam a igualdade religiosa.
.Os egípcios são socialmente, culturalmente diferentes dos demais países muçulmanos da região. O Egito é o pais do norte da África mais próximo dos países árabes do Oriente Médio mas tem ambições de liderar a região. -Todas as dificuldades internas que estes paises enfrentam, não impedem que a aspiração ao poder e a influência regional seja um fator de conflito, pois querem chegar a posição da Arábia Saudita. A descoberta do petróleo, há pouco mais de 100 anos na Península Arábica , trouxe para o deserto a presença e a influência da cultura ocidental, pois todo o trabalho de prospecção, extração, tecnologia , engenharia está nas mãos de companhias europeias e americanas, que dirigem toda esta indústria. Árabes dos países mais pobres, vieram aos milhares, para trabalhar nos poços de petróleo, inclusive da Palestina de então. Os palestinos eram mais cultos e em geral trabalhavam como professores ou em outras profissões liberais. Todos os trabalhadores estrangeiros, não podiam trazer família, para impedir o enraizamento de estrangeiros na Península Arábica. Não recebiam cidadania e não tinha nenhum status cível. Viviam em acampamentos de trabalho, fora das cidades, sem contato com a população local.Estas restrições são válidas até os presentes dias. Em poucos anos as tribos de árabes nômades primitivos, que viviam em tendas e criavam cabras e camelos, tornaram-se milionários, construíram cidades, palácios e substituíram os camelos por Rolls Royces.
.Qual a proporção de cada um destes grupos nos diferentes países árabes ou muçulmanos? -A Arábia Saudita e os sete paises que constituem os Emiratos Árabes, foram abençoados com reservas fantásticas de petróleo .Entre os Emiratos, os paises mais importantes são Dubai e Abu Dabi.A riqueza destes paises todos nós vemos nos vídeos que correm na rede virtual. Os reis da Arábia Saudita, são os descendentes da dinastia de Ibn Saud, que durante séculos dominou as tribos e foram passando de geração em geração a autoridade religiosa e governamental. A Arábia Saudita é um país central na grande Nação Árabe e a influência que exerce sobre os árabes, em geral, e no Oriente Médio, em particular, é indiscutível. São profundamente religiiosos, mas não fundamentalistas. Não toleram nenhuma intervenção na sua soberania e forma de vida. A minoria xiita, influenciada pelos ventos de democracia que sopram da Primavera Árabe, tentou criar focos de rebelião, incentivados pelo Irã, na tentativa de destruir o poder saudita. A Arabia Saudita tem um potencial belico sofisticado, fornecido e mantido pelos Estados Unidos, que são também os responsáveis pela instrução e aperfeiçoamento militar, o que tranforma este país num posto avancado americano no Oriente Medio. O reino saudita ajuda financeiramente a todos os árabes, fora das suas fronteiras e constrói mesquitas em todo o mundo. Contribui para o Hamas em Gaza e para a Autoridade Palestina em Ramallah. Do ponto de vista político, são vistos como moderados. No Egito, a evolução foi diferente. Quando Napoleão chegou ao Egito, trouxe os modernismos da Europa- novos armamentos, novos conhecimentos no campo da medicina, cores da cultura ocidental. O Egito não é previlegiado por petróleo e onde não há petróleo, há pobreza. Os habitos europeus foram bem aceitos pela sociedade egípcia, que do ponto de vista religioso eram mais liberais. Egito é África. A cultura local não podia competir com o que a cultura ocidental oferecia e até a lingua francesa foi aceita pelas elites egípcias. Também pelos judeus que falavam frances além do árabe. A construção do canal de Suez por empresários ingleses e franceses, também contribuiu para a expansão da cultura ocidental, pois grande parte do corpo técnico que dirigia os trabalhos da construção era estrangeiro.
.Os xiitas, sunitas, alauim, drusos, curdos, beduínos são todos muçulmanos, o que os une e o que os separa? -Depois da Primeira Guerra mundial, a Inglaterra dominou o Egito, bem como a Palestina.Nasser foi um grande opositor ao domínio inglês. Desenvolveu a ideia do Pan Arabismo que precedeu a criação posterior da Liga Árabe, que congregou todos os países árabes e conquistou um espaço no âmbito internacional. Os egípcios tem até hoje uma posição relevante na direção da Liga Árabe.
.A denominada Primavera Árabe, assumiu aspectos diferentes nos vários países onde explodiu.Qual a razão?
-As diferenças entre a forma e as consequencias das rebeliões nos países árabes, neste ultimo verão, estão diretamente ligadas as caracteristicas internas de cada um dos países, do tipo de governo, da divisão dos bens, da diversificação religiosa. A visita de Obama ao Egito, o único país muçulmano que visitou no inicio da sua cadencia como presidente, trouxe um ar de democracia ao país, que nos últimos 40 anos, sob a ditadura de Mubarak, chegou a uma situação economica difícil, com um índice elevado de desemprego, salários muito baixos, para uma faixa populacional jovem que conseguiu estudar e adquirir uma profissão, sem ter nenhuma possibilidade de conseguir trabalho, no presente ou no futuro próximo. Não tinham a menor esperança de poder progredir e um dia poder constituir uma família, quando a riqueza rolava nas mãos dos políticos, dos agregados à mesa do governo, num sistema de roubo oficializado. O Egito é um pais economicamente pobre, com uma estrutura agricola baseada na cultura do algodão, sem grandes reservas de petróleo, bastante gás natural que estava nas mãos de apadrinhados do governo. A revolta começou na rua. Os pobres contra a riqueza pessoal dos politicos, contra o poder econômico da familia Mubarak que se comportava politicamente como se fosse uma familia real, onde o poder passaria de pai para filho.Daí o ódio contra o ditador, que foi apoiado pelos governos americanos que precederam Obama. Esta visita foi como um sinal de consentimento para a mudança. As consequências, estão longe dos sonhos dos jovens que expandiram a revolução moderna, a revolução do facebook.
.As revoltas tiveram como ponto de partida Tunísia, Argélia e daí para o Egito, Líbia,Iêmen, tocou de leve na Jordânia, Bahrein, Síria, onde continua até hoje, com características diferentes, com reações mais ou menos violentas e com metas diversas. Explique. -A Tunísia foi o ponto de partida para a Primavera do verão. Um governo mais tolerante e uma população menos pobre, conseguiu sufocar rapidamente os focos de rebelião. Na Argélia, o movimento de protesto também foi menos violento. Na Jordânia, a posição forte do governo está controlando até hoje as tentativas da rebelião levantar a cabeça. Já na Libia, a situação foi completamente diversa. Kadafi estava no poder há mais de 40 anos, exercendo um governo ditatorial violento, baseado numa organização tribal, na qual os fieis são beneficiados pelo poder dividido pelas regiões de influência de cada líder, e, principalmente , pelo acesso ao poderio econômico que o petróleo concedia, num país com grandes reservas petrolíferas. A Itália, a França e a Inglaterra, fizeram enormes investimentos no petróleo líbio, não só pela boa qualidade, como também pela facilidade de transporte, dada a proximidade da Líbia com a Europa, barateando os custos. Assim, fica claro a intervenção do poderio aéreo da NATO na Libia e a indiferença total da Europa em relação ao massacre que o exército sírio vem fazendo contra a população civíl. Em Bahrein, um país pequeno, 1 milhão de habitantes, maioria xiita, mas vizinhos da Arábia Saudita. A rebelião começou e rapidamente o governo solicitou ajuda da monarquia saudita, que enviou tropas militares que sufocaram imediatamente a rebelião, que era basicamente religiosa, antes que pudesse contagiar a minoria xiita do reinado. Na Síria e no Iêmen a luta continua, com perdas de milhares de civis, cidadãos que pedem democracia, direitos humanos, trabalho, um mínimo de segurança social que todo governo tem por obrigação, assegurar aos seus cidadãos.
"Espero ter contribuido com um pouco dos meus conhecimentos para satisfazer a curiosidade intelectual dos leitores do Nosso Jornal.
Às vésperas de Rosh Hashaná, aproveito a oportunidade de enviar meus votos de SHANÁ TOVÁ UMEVURECHET, aos leitores,à direção do jornal e a todos que contribuem para a difusão da cultura judaica e de Israel." Ioram Katz "Eu , particularmente, me associo aos votos de Ioram Katz, desejando a todo o povo judeu SHANA TOVA, um ano de Paz e comprensao entre os povos." Ruth Gotlib Pilderwasser